Transplantados, a equipe de futebol incomum que promove a doação de órgãos no Chile

RODRIGO ARANGUA

Héctor Sánchez posa com uma camiseta que diz “Chile, país doador”, em 6 de novembro de 2024, em Santiago

RODRIGO ARANGUA

O sonho de Héctor Sánchez de se tornar jogador de futebol foi interrompido por uma doença hepática. Dois implantes lhe deram a oportunidade de renascer e jogar para promover a doação de órgãos no Chile, um país com baixa taxa de transplantes.

“Se não fosse pelo transplante, talvez não estivesse cá”, disse Sánchez, depois disputar um jogo contra uma organização beneficente em Santiago.

Ele e outros transplantados – a maioria receptores de órgãos renais – formam uma equipe de torcedores conhecida uma vez que a “seleção chilena de transplantados”.

Em setembro, ganharam o primeiro mundial de futebol de transplantados na Itália.

Apesar de narrar desde 2010 com uma lei que impulsiona a doação, o Chile tem uma baixa taxa de transplantes: 10 a cada um milhão de habitantes.

A zero corresponde à metade do líder regional nesse tema, o Uruguai, com 19,7 a cada milhão e também está longe de países uma vez que Argentina (18) e Brasil (17), segundo o Ministério da Saúde chileno.

E distante também da União Europeia, com 20,9 e da líder mundial, Espanha, com 48,9.

Sete anos depois de ser submetido a um duplo transplante de fígado depois que o primeiro falhou, Héctor Sánchez usa uma camiseta vermelha com a mensagem: “Chile, país doador”.

Promover a doação de órgãos através do esporte é a forma de agradecer essa “segunda chance de vida”, diz esse vendedor de carros, de 31 anos.

Apesar das grandes cicatrizes que os atletas carregam, quando a globo rola no gramado correm detrás dela sem maiores preocupações.

Não usam nenhuma proteção próprio na superfície transplantada. “(Exclusivamente) devem se cuidar uma vez que qualquer pessoa que pratica qualquer esporta e se hidratar”, explica Ruth Leiva, da Unidade de Transplantes do Hospital San José na capital Santiago.

“Na hora de entrar no gramado me esqueço de tudo, sou uma pessoa normal, sou a pessoa mais feliz”, afirma Sánchez.

– Promover a doação –

Quase 2.200 pessoas esperam por um órgão no Chile atualmente.

O número de transplantes não aumentou significativamente no país desde a promulgação da lei que estabelece que todo maior de 18 anos é doador em caso de morte, mesmo com as campanhas de notícia do Estado promovendo os transplantes.

Isso ocorre fundamentalmente devido à oposição das famílias do potencial doador, que podem se negar a entregar os órgãos uma vez que se declara o falecimento.

Embora “a legislação chilena esteja bastante avançada” em relação à América do Sul, não “há muita consciência da doação”, afirma a médica Ruth Leiva.

“Há muitas pessoas que acreditam que (o morto) terá seus olhos arrancados depois de ser um doador (…) e não conseguirão velá-lo”, acrescenta sobre os preconceitos da doação.

Outrossim, o Chile considera uma vez que potencial doador unicamente uma pessoa com morte cerebral, diferentemente da Espanha, onde também se retiram os órgãos de quem não sobreviveu depois uma paragem cardíaca, explica Leiva.

Apesar da proibição dos médicos, que o tratavam por uma má formação em seu fígado que impedia seu funcionamento normal, Sánchez não deixou de jogar futebol quando era gaiato.

Seu fígado lhe causou complicações desde o promanação. Antes de completar um ano de vida, ele teve que se subordinar a uma cirurgia e sua família recebeu uma ordem clara dos médicos: eles precisavam substituir o órgão pechoso.

Embora Hector devesse fazer um transplante antes dos 15 anos de idade, ele só conseguiu fazê-lo aos 24, um transplante duplo.

O primeiro órgão falhou e ele ficou em tratamento intenso por oito meses. O segundo transplante foi bem-sucedido e os médicos lhe disseram que ele poderia levar uma vida normal.

“Você começa a nascer de novo, é a sua segunda chance. Para mim foi assim, física e emocionalmente”, diz Sánchez.

Sete anos depois, ele estava pleno de glória. Em 13 de setembro, ele levantou o troféu do Campeonato Mundial de Futebol de Transplantados depois uma campanha invicta, vencendo a Espanha por 5 a 1 na final.

“Proteger o Chile em um Mundial e jogar contra outros países é um pouco que qualquer um sempre sonhou”, diz ele.

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