ECONOMIA

Aço chinês, um grande problema que ameaça a indústria siderúrgica da América Latina

GUILLERMO SALGADO

Trabalhadores siderúrgicos protestam pelo eventual fechamento da vegetal da Huachipato, localizada na cidade de Talcahuano, em 4 de abril de 2024

GUILLERMO SALGADO

Dez milhões de toneladas de aço chinês inundaram a América Latina no ano pretérito, um recorde que prenúncio a siderurgia regional: “Fechar Huachipato seria uma explosivo atômica”, disse Carlos Ramírez, trabalhador da principal siderurgia chilena que está sofrendo com a potente concorrência da China.

Huachipato, em Talcahuano, 500 km ao sul de Santiago, anunciou a rápida suspensão das operações, sobrecarregada pela avalanche de aço chinês que toma os mercados e que é comercializado no Chile 40% mais barato que o aço lugar.

A medida, que inclui um pedido para que o governo imponha uma tarifa de 25% às importações de aço, prenúncio 2.700 trabalhadores da companhia e outras 20.000 pessoas que dependem dela.

No Brasil, o maior produtor de aço da região, também há preocupação. No ano pretérito, as importações vindas da China cresceram 50% e a produção caiu 6,5%, segundo o Instituto Aço Brasil.

A Gerdau, uma das maiores siderúrgicas do país, já despediu 700 trabalhadores. Os últimos, em fevereiro, foram desligados da vegetal de Pindamonhangaba, em São Paulo, devido ao “cenário provocador enfrentado pelo mercado brasiliano frente às condições predatórias de importação do aço chinês”, comunicou a empresa, que não respondeu os contatos da AFP.

As siderúrgicas brasileiras também pedem uma tarifa de 25%, porquê a que o México impôs a 205 tipos de produtos feitos de aço, se alinhando às tarifas impostas pelos Estados Unidos, seu principal parceiro mercantil.

O aço representa 1,4% do PIB mexicano e gera 700.000 empregos. 77,5% da exportação vão para os Estados Unidos, segundo dados oficiais.

– China “muito presente” –

Nas últimas duas décadas, a China aumentou sua participação no mercado mundial de aço de 15% para 54%, segundo a Associação Latino-Americana do Aço (Alacero).

Na América Latina, as importações cresceram em 2023 a um recorde de 44%, superando as 10 milhões de toneladas. Duas décadas detrás, a China exportava exclusivamente 85.000 toneladas de aço.

“A China está muito presente na América Latina”, lamenta Alejandro Wagner, diretor-executivo da Alacero.

“Ninguém é contra o transacção entre países, mas sempre se fala de um transacção justo”, acrescenta o executivo à AFP.

A preocupação pelo excesso de capacidade da siderurgia chinesa aumentou nos últimos anos, na presença de o menor dinamismo em seu setor de construção, que libera mais produtos para exportação.

Em uma visitante recente à China, a secretária americana do Tesouro, Janet Yellen, expressou preocupação pelo “excesso” de produção chinesa e assegurou que os Estados Unidos “não aceitarão” que o mundo seja inundado de bens chineses vendidos aquém do preço.

Em 2018, os Estados Unidos impuseram uma tarifa suplementar de 25% ao aço chinês.

– Doloroso “terremoto social” –

Fechar Huachipato, do grupo privado CAP, desferiria um duro golpe em Talcachuano, um porto do sul do Chile do qual é principal sustento há 70 anos e onde cumpre um importante papel social.

De seu aço nasceu o clube de futebol “Huachipato”, atual vencedor chileno.

Ramíres é um trabalhador ligado a essa empresa desde petiz. Primeiro, porquê jogador das divisões inferiores; depois porquê profissional e uma vez reformado do esporte, porquê diretor de um dos sindicatos da empresa.

“O que estamos vivendo é muito doloroso”, afirmou o varão de 56 anos, que viajou para Santiago ao lado de outros dirigentes para expor o “terremoto social” que se avizinha.

Em um último esforço para se manter competitiva – depois de perdas de 1 bilhão de dólares desde 2009 -, Huachipato solicitou à Percentagem Antidistorsões chilena uma tarifa de 25% ao aço importado.

A Percentagem encontrou “provas suficientes para estribar a existência de dumping” – venda de um resultado aquém do dispêndio – por secção da China e recomendou uma taxa de 15%, considerada “insuficiente” pela Huachipato.

“Não estamos pedindo subsídios ou salvaguardas. A Huachipato tem a capacidade de ser lucrativa em um envolvente competitivo”, disse seu gerente, Jean Paul Sauré.

Para o governo do esquerdista Gabriel Boric, a Huachipato é uma empresa “estratégica”. A Huachipato se especializou em insumos essenciais para a mineração: barras e esferas de aço para moedura de cobre, do qual o Chile é o maior produtor mundial.

Durante a pandemia, quando o transacção mundial foi interrompido, “foi a Huachipato que manteve o fornecimento de aço do país”, disse à AFP o ministro da Economia, Nicolás Intensidade.

A decisão de impor medidas de proteção não é fácil. O Chile assinou um Tratado de Livre Negócio com a China em 2006, o que o expõe a possíveis retaliações comerciais.

Na América Latina, o aço gera 1,4 milhão de empregos, que são altamente especializados e difíceis de reconverter.

O impacto a limitado prazo na região dependerá da adoção de medidas pela China para reduzir seu “excesso” de produção e, em nível lugar, de iniciativas destinadas a restringir a ingresso de aço, disse à AFP José Manuel Salazar-Xirinachs, secretário-executivo da Percentagem Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

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